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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

VIDA DE PROCURADOR - A MARVADA DA CACHAÇA E O FIM DO MUNDO

Olha...vida de Procurador não é só muito trabalho, viagens, audiências, prazos, ações importantes. Tem situações divertidas também. Em audiências saem cada uma.

Mas o caso é outro.

Estava em substituição em uma Comarca próxima e veio um processo para me intimar da extinção. Dei uma olhada na inicial, para ver qual o assunto e aí não consegui controlar as gargalhadas, perdoem-me. Mas é muita cachaça! Rsrs...

O caso era o seguinte, uma mãe ajuizou a ação contra o filho, de 32 anos, através da Defensoria Pública, explicando que ele fazia uso da cachaça há mais de 10 anos. Que já tentara interná-lo, mas o sujeito não aceitava. Que fizera tratamento ambulatorial, mas nada de deixar a marvada. E também passou a fazer uso de medicamentos que encontrava em casa, a ponto de passar mal e obrigar a velha a esconder os remédios.

E a inicial continua a contar que o "quera" é biscateiro, mas gasta tudo o que ganha comprando cachaça e passando o dia todo bêbado. Pior, com isso se torna valente, ameaçando pai e mãe. Que fica o tempo todo procurando facas e facão, o que a mãe também teve de esconder, pois teme que ele mate alguém.

A mãe se queixa de ter sido agredida com tapas e empurrões, quando foi buscá-lo em um bar, onde estava bêbado e ameçando a todos.

Que também compra cachaça e esconde em casa, onde fica só bebendo, principalmente quando não trabalha, só se alimentando quando a mãe leva no quarto.

E aí pede a interdição.

Claro, o caso é engraçado se olhado de longe, mas para a família é um drama real e trágico, eu sei. Mas é muita cachaça.

E a extinção? Bem, ocorre que foi dada a liminar para que o Estado fizesse a internação compulsória do sujeito. Acontece que quando a equipe chegou para cumprir o mandado, ele disse:

- Internação? Eu não vou não. Se quiser, vai tu. Eu não vou.

Ante o impasse, a mãe falou: Se meu filho não quer ir, ele não vai.

Pronto, acabou o processo por perda de objeto. E eu, os colegas que me antecederam, a Defensora, a Promotora, a Juíza, os oficiais de Justiça, a equipe de saúde, os funcionários do cartório, todos feitos de palhaços.

O drama é real, mas a família tem a maior responsabilidade e não o Estado.

Ah! A nossa Assessora Jurídica estava indignada com as minhas risadas, mas me contou que são vários processos iguais na mesma comarca. O povo lá gosta da marvada!

Ao Juízo não coube nada a não ser extinguir. Um colega até falou em pedir o julgamento, para declarar a improcedência e fazer coisa julgada. Mas não temos tempo para tanta cachaça.

Minha manifestação nos autos foi nesses termos:

"MMa. Juíza: O fim do mundo se aproxima e traz consigo esses processos. Ciente, pede incineração."





.explicava que o filho

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